sábado, 24 de agosto de 2013

Eu sei.

Chris, ninguém precisa me lembrar disso. Eu sou conscientemente ciente da nossa impossibilidade. E é por isso que continuo te encontrando nos meus sonhos. Lá tudo bem. "Lá" é o nosso lugar secreto. Mary.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Bilhete (lembrete).

Chris, O seu destino você escreve em papel de rascunho, enquanto o meu foi registrado em cartório antes mesmo de eu nascer. De um ponto de vista molar, nossos elementos não se combinam (nem induzir o contato resolve a questão). Molecularmente, é claro que nossos átomos reagem entre si (e basta o menor estímulo do mundo pra desencadear uma reação em cadeia poderosa). Nós dois somos intragáveis um pro outro, eu sei. Por outro lado, indissolúveis. Nada separa a minha inspiração da simples menção do seu nome, do resgate da sua cor na minha memória. Já parei de reclamar. Me tornei resignada desde o dia em que você me ensinou a arte escondida na imutabilidade das coisas. Pra mim, ambíguo até demais. Mary.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

No portão.

Quando ele atravessou aquele portão, foi como se tivessem roubado-lhe o calor do corpo. Então a força dos braços também desapareceu, e ela sentiu a visão turva. Era o colorido do dia tomando nuances de cinza. Vagarosamente. Doloridamente e até a próxima reanimação.

domingo, 22 de abril de 2012

Suor.

É claro que os meus surtos repentinos de inspiração me assustam. Não tanto quanto as minhas paixões inesperadas, fácil de se supor. E quem é que se surpreende quando já está esperando pelo toque da campainha, pela ligação de madrugada ou pelo encontro das mãos impacientes? Que medo bom.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Com você.

Contra tudo o que já disse
Contra-argumento
Contra tudo o que não disse
Contratempo
Contra nós
Contradição
Em nossa defesa
Contrato
Pra nossa sorte
Constato: não tem remédio, saída nem solução.
E eu só fui perceber a real dimensão do meu poder de fogo depois de ter puxado o gatilho.
Estilhaços pelo coração.
Sinapses interrompidas.
Falência múltipla.
Silêncio
Silên
Si
.

Declaração de Amor.

Nunca te amei.
Nunca gostei de ouvir sua voz,
e odiava o fato de nós
continuarmos juntos.
Nunca te amei.
Nunca gostei daquele cheiro em você,
e odiava quando ousava dizer
que eu era o seu mundo.
Nunca te amei.
Nunca gostei dos seus cabelos compridos,
e odiava que quando estava comigo
me oferecia tudo.
Nunca te amei.
Nunca gostei do seu abraco apertado,
e odiava aqueles beijos roubados
em meio ao tumulto.

Levante agora e vá viver por você.
Recolha os cacos
e se torne alguém.
Costure os trapos
e enxergue além,
que numa esquina, em outra vida, porém
te espero como nunca.
Nunca não te amei.