terça-feira, 27 de maio de 2014
De passagem.
Chris, sou eu de novo. Ultimamente tenho pensado muito em você. Na verdade, eu acho que nunca deixei de pensar. Você é mais rápido do que o tempo: enquanto ele apenas passa, você vai e vem. Volta antes mesmo de ter ido. A verdade é que você nunca vai, você está sempre aqui. Em tudo. Se fechar os olhos posso te abraçar e sentir o seu cheiro de cansaço. Chris, pra nós o tempo não existe mais. Estamos presos no ontem. Presos naquela tarde de verão, naquele colchão surrado e naquela canção triste. Às vezes sinto mais do que a sua falta, sinto a sua presença em mim. Mary.
sábado, 24 de agosto de 2013
Eu sei.
Chris, ninguém precisa me lembrar disso. Eu sou conscientemente ciente da nossa impossibilidade.
E é por isso que continuo te encontrando nos meus sonhos. Lá tudo bem. "Lá" é o nosso lugar secreto.
Mary.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Bilhete (lembrete).
Chris,
O seu destino você escreve em papel de rascunho, enquanto o meu foi registrado em cartório antes mesmo de eu nascer.
De um ponto de vista molar, nossos elementos não se combinam (nem induzir o contato resolve a questão).
Molecularmente, é claro que nossos átomos reagem entre si (e basta o menor estímulo do mundo pra desencadear uma reação em cadeia poderosa).
Nós dois somos intragáveis um pro outro, eu sei. Por outro lado, indissolúveis.
Nada separa a minha inspiração da simples menção do seu nome, do resgate da sua cor na minha memória.
Já parei de reclamar. Me tornei resignada desde o dia em que você me ensinou a arte escondida na imutabilidade das coisas.
Pra mim, ambíguo até demais.
Mary.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
No portão.
Quando ele atravessou aquele portão, foi como se tivessem roubado-lhe o calor do corpo.
Então a força dos braços também desapareceu, e ela sentiu a visão turva.
Era o colorido do dia tomando nuances de cinza.
Vagarosamente. Doloridamente e até a próxima reanimação.
domingo, 22 de abril de 2012
Suor.
É claro que os meus surtos repentinos de inspiração me assustam. Não tanto quanto as minhas paixões inesperadas, fácil de se supor.
E quem é que se surpreende quando já está esperando pelo toque da campainha, pela ligação de madrugada ou pelo encontro das mãos impacientes?
Que medo bom.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Com você.
Contra tudo o que já disse
Contra-argumento
Contra tudo o que não disse
Contratempo
Contra nós
Contradição
Em nossa defesa
Contrato
Pra nossa sorte
Constato: não tem remédio, saída nem solução.
Contra-argumento
Contra tudo o que não disse
Contratempo
Contra nós
Contradição
Em nossa defesa
Contrato
Pra nossa sorte
Constato: não tem remédio, saída nem solução.
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